Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Junho 20 2010

Volutas de palavras envolvem o Espaço

Como sopros de deuses ou beijos cantados

E a cauda do cometa no seu longo traço

Desenha poemas translúcidos, alados

Soltam-se suspiros, louvores – devoção

Casam-se as sílabas na bênção da mão

 

Nós, absortos poetas calados de espanto

Unimos as forças p´ra alcançar a essência

Dos versos que se abrem em rosas de encanto

Perfumando inspirações de terna existência

Soltam-se dedos que pingam vivida escrita

E o poema morre na alma que grita

 

O tempo nasce, renasce, suporta o mundo

Com pensamentos germinados em si próprio

O mar revolta-se num soluço fundo

A terra resseca no vazio negro e sórdido

Pois o aparecimento do Eterno Poema

Tarda em chegar por descrença ou falta de tema

 

Tudo isto acontece dentro do meu peito

Na recôndita mágoa que escondo a meu jeito

Um beijo, até breve, sei que vou voltar

Eu quero, eu sinto que vou aqui estar.

 

19 de Junho de 2010

Liliana Josué

 

 

publicado por cantaresdoespirito às 21:51
editado por appoetas em 22/06/2010 às 18:42

Junho 17 2010

Há fome

Há medo

Há sujidade!

 

A grande fadista canta a saudade

de qualquer coisa que não percebo

nem me interessa.

Com ela a esperança some

num arremedo de solidão.

O fado português em mim recebo

com enfado.

Suga-me a cor do rosto

e a alegria dos olhos.

Não tenho culpa…

não quero ter culpa!

Rejeito o desagrado causticante

deste fado

assim tão português!

 

Liliana Josué

 

 

publicado por cantaresdoespirito às 21:54

Junho 17 2010

Hoje acordei num temporal de pensamentos

noite mal dormida, medos…

A ferida ainda está aberta

e tem momentos

que arde como dedos de unhas aguçadas

arranhando meu corpo até à alma.

Mas tu chegas sempre a tempo

de me beijar a dor

ressuscitando minha alegria.

Dás-me abraços de calor

festas amenas

sorrisos de altos sois.

No meu desassossego pergunto o que faria

sem esses girassóis do teu olhar.

 

Liliana Josué

publicado por cantaresdoespirito às 21:49

Abril 24 2010

Vinte e cinco anos...

bela jovem na frescura

da madura idade.

No tempo ferido

pelos danos do próprio tempo

espalha primaveras

dessa mocidade

que em si se detém.

Minha bela jovem

de madura idade.

A mim, quem me dera

ter a felicidade

de te ver assim

numa eternidade

de vida vivida

num eterno Universo

todo só em verso.

 

Liliana Josué

 

publicado por cantaresdoespirito às 19:54
editado por appoetas em 24/05/2010 às 18:19

Abril 24 2010

MOTE

 

Eu não sou eu nem sou o outro,

Sou qualquer coisa de intermédio:

Pilar de ponte de tédio

Que vai de mim para o Outro

 

GLOSA

 

Acordei no canto dum pássaro

em seu voar

reforçando a monotonia de mais um dia

que se estava a iniciar.

Bocejei olhando o espelho, espantado

e constatei ser um estrangeiro

no meu quarto e noutro corpo

balbuciando consternado:

Eu não sou eu nem o outro,

 

Talvez seja todo o mundo

num só Ser

ou ninguém… buraco negro, estéril, fundo…

neste existir ensombrado de mistério;

Sou qualquer coisa de intermédio:

 

Talvez físico ou sentimento:

fogo, terra, ar, água

ou: ódio, amor, felicidade, sofrimento;

definidamente indefinido.

Serei grande, estreito, médio…

nada me é permitido

talvez e apenas

Pilar da ponte de tédio

 

Suportando um horror de penas

por não saber quem eu sou:

oiço o pássaro a cantar

num mortiço bocejar

no espelho deste confronto

Que vai de mim para o Outro

 

10 de Abril de 2010

 

Liliana Josué

 

publicado por cantaresdoespirito às 01:35

Março 20 2010

 Ajoelhei

na oração

do infinito.


 

Abençoei

teu coração

meu sol bendito.


 

Agradeci

aquela flor

à minha espera.


 

Adormeci

nesse calor

de Primavera.

 

Liliana Josué


 

 


 

publicado por cantaresdoespirito às 22:43

Março 20 2010

(Dedicado ao último ancião da minha família)

 

Há sol azul

nos olhos do ancião,

metamorfoses de vidas esvoaçando

adormecem esse olhar

de solidão.

Cabeça pendendo sonhos

recordações

do distante

memórias de luares antigos

polvilhados de emoções

de cor imaculada

e cheiro a ontem.

Todo ele é Primavera branca

cabelo, barba, ilusão...

a face nívea desgostos tranca

tudo é branco...

mas os olhos... esses não.

 

Liliana Josué


 

publicado por cantaresdoespirito às 22:39

Março 20 2010

 Não vou deixar que me tirem

a Primavera

só por não quererem ter o seu mundo

junto do meu.

O cheiro do alecrim

está aqui

perto de mim.

O azul banha meu corpo

a toalha verde seca-me

e dá calor.

Não há amor

ou

desamor

que me roube

as flores rosadas e pequeninas

das árvores

renovadas

nem o pássaro

poisado

no meu cabelo.

Sou pólen de felicidade

que se espalha em correria

poesia sem saudade

nova página florida.

Liliana Josué

 

publicado por cantaresdoespirito às 22:27

Março 20 2010

 

Verde, muito verde, tanto verde...

e a vontade de viver torna-se sede

porque nasceu a minha Primavera

e a esperança em mim se enrola como hera

num hino tocado por trompetas

anunciando o mundo em novas facetas.


 

Azul, muito azul, tanto azul...

num esvoaçar etéreo de brando tule

lá pelos céus. Respiração Divina

que no Seu sopro tudo marca e assina

num gotejar de crenças no amanhã;

renovação do Ser em esperança sã.


 

Rosa, muito rosa, tanto rosa...

é poema cantado ou mesmo prosa

que a Primavera traz no seu regaço

num esvoaçar de pomba pelo espaço

incentivando a fecundação do mundo

no seu sopro grávido e tão profundo.


 

Branco, muito branco, tanto branco...

proposta dum Universo são e franco

nas por aí espalhadas brancas flores...

(aglutinação de todas as cores).

Perfume etéreo p'ra almas doloridas

esperança em vidas pouco coloridas.

 

Liliana Josué


 

publicado por cantaresdoespirito às 22:17

Março 16 2010

(Temático)


 

O ideal romântico feminino

fez-te vibrar

pelo porte majestoso

e alvos rostos

mas no teu escrever muito alexandrino

logo reagias a esse marulhar

impetuoso

lembrando de imediato a tísica

mergulhada em doença e desgostos.


 

Poeta-pintor desta cidade em expansão

tão tua e tão distante…

mas sempre de ti inseparável.

Pintaste a debilidade física

com o realismo da tua visão.

Mas o campo com o seu bucolismo

também enterneceu

esse teu sentir tão próprio.

DE TARDE, tudo tu Naturalismo

o campo soubeste bem enaltecer

em macios seios como rolas

enfeitados com ramos rubros de papoulas.


 

Lisboa, 12 de Março de 2010

Liliana Josué

publicado por cantaresdoespirito às 22:21

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